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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Colocando as Cartas na Mesa



Em 2017, Sakura Card Captors completou 21 anos no lançamento do mangá original..

O primeiro mangá, que é de criação do grupo Clamp, foi publicado originalmente entre 1996 e 2000, na revista Nakayoshi, da editora Kodansha (na qual também foi publicada, por exemplo, a saga das guerreiras lunares Sailormoon). O anime foi ao ar entre 1998 e 2000, e gerou dois filmes.

O sucesso foi tamanho que as autoras retornaram (mais ou menos) aos personagens no inicialmente promossor Tsubasa Resevoir Chronicles, mas constantes universos paralelos, clones, identidades trocadas, tornaram o mangá demasiadamente confuso e muito aquém de Sakura Card Captors ou de outras obras do Clamp.

As meninas do Clamp são conhecidas como as rainhas do Shoujo (embora tenham feito diversos outros estilos de quadrinhos japoneses). Shoujo, para quem não sabe, é um estilo de mangá voltado principalmente para o público feminino, com características marcantes tais como traços dos desenhos mais finos, leves e estilizados, valorizando, principalmente, as características psicológicas das personagens, seus sentimentos, conflitos pessoais e relações amorosas. É muito comum nesse tipo de mangá garotos com uma aparência andrógina, relacionamentos amorosos entre personagens do mesmo sexo e romances meio impossíveis.

Sakura Card Captors é considerado, juntamente com Guerreiras Mágicas de Rayearth e X 1999, um dos melhores trabalhos do Clamp.

A arte é primorosa e, como a maioria das artes de mangás shoujo, é delicada. A delicadeza desses traços, associada com um cuidado com os detalhes de caracterização de cada personagem (acessórios, cabelos, olhos, etc., que acabam por refletir as personalidades dos mesmos), além de uma grande exploração da linguagem de mangás (as “gotinhas”, o diálogo integrado às cenas e por aí vai), fazem de Sakura um trabalho belíssimo de se ler e se ver. Entretanto, em algumas cenas de batalha, devido ao traço fino e a uma arte-finalização mais limpa os quadros se mostram um pouco confusos.

Além disso, a caracterização psicológica das personagens também é fantástica, pois elas se apresentam como seres complexos e cheios de nuances e sutilezas. Os 
relacionamentos amorosos, no mangá, são bem mais explícitos e intrincados que no anime. É bem mais evidente no mangá que no anime que Shoran é apaixonado por Yukito, ou que o que Tomoyo sente por Sakura é realmente bem mais que amizade, formando uma rede amorosa capaz de dar dor de cabeça no fã mais fiel. Também são notáveis as diferenças cronológicas ou o modo como algumas cartas foram capturadas no anime e no mangá, mas sem que isso torne um inferior ao outro. E diferente da maioria dos quadrinhos com os quais estamos acostumados, nos quais existem sempre heróis e vilões, mesmo que esses vilões sejam ambíguos, em Sakura Card Captors não temos nenhum vilão de verdade.

Meu unico por
ém sobre a obra é o relacionamento entre Rika, amiga de Sakura, e o professor delas, sutil no anime e mais escancarado no mangá, e que daria para ser discutido e debatido infinitamente.

Quem  já viu o anime  ou leu o mangá deve se lembrar (e quem não conhece, convido a conhecer), a história de Sakura é mais ou menos a seguinte: Sakura é uma menina de 10 anos que, ao abrir um estranho livro que encontrou na biblioteca de seu pai, liberta as cartas Clow, criadas pelo poderoso mago Clow. Agora, com a ajuda de Kerberus/Kero-chan, antigo guardião do lacre do livro, e de sua melhor amiga Tomoyo, Sakura deverá juntar todas as cartas ou uma grande desgraça se abaterá sobre a Terra.

Embora as cartas dêem muito trabalho para serem capturadas, ou por vezes acabem por prejudicar uma ou outra pessoa, não há porque classifica-las como malignas. As cartas ou estão confusas diante dessa nova situação de liberdade, ou não querem abrir mão dela - ou ainda querem testar se a nova card captor é digna de ser sua nova dona.

Quanto a Shoran Li, o rival de Sakura na captura das cartas (e no amor de Yukito), o único motivo de sua implicância inicial com Sakura se deve ao fato de ele não achar que ela seja forte suficiente para capturar as cartas. Ele acredita que reunir as cartas seja uma obrigação familiar, já que é descendente da família de Clow. O próprio Eriol, reencarnação do mago Clow que aparece na fase final da história, não pode ser classificado como vilão. Suas manipulações míticas visam mais a testar Sakura e auxilia-la no desenvolvimento de seus poderes que a qualquer intento perverso.

Sakura Card Captors não é uma história sobre a eterna luta entre o bem e o mal, mas uma metáfora sobre a passagem da infância para a adolescência, seus conflitos. Sobre questões como amadurecimento e aquisição de responsabilidades. É uma história sobre relações humanas. E é aí que reside seu charme. Quando Sakura abre o livro das Cartas, é como se ela se abrisse às infinitas possibilidades que a adolescência nos oferece. A captura das cartas representa as responsabilidades que essa nova fase de nossa vida nos impõe, mas ao mesmo tempo que adquirimos novas responsabilidades também nos tornamos mais experientes e mais sábios. A cada carta Clow que Sakura capturava, ela se tornava misticamente mais forte: tornava-se mais experiente e menos criança (mas sem perder as características que a faziam únicas). Ou seja, ela estava mudando como todos nós mudamos durante esse período de nossas vidas.

As dificuldades que ela passou para prender as cartas e o julgamento de Yue não são nada mais que a representação de todos os obstáculos e problemas que enfrentamos durante toda a vida. E a transformação das cartas Clow, que eram as cartas de outra pessoa, experiência vinda do meio externo, em cartas Sakura, está relacionada a um processo de reflexão no qual pegamos as experiências que o meio nos ofereceu e delas extraímos lições para nossa vida. Só depois de passar por essas transformações e por este amadurecimento é que Sakura pode se perceber não mais como uma criança, mas quase uma adulta e se permitir a amar.

Metáforas à parte, Sakura Card Captors é um dos melhores e mais poéticos mangás do Clamp e merece ser conferido (ou relembrado)

Sakura 2016

Dica de site:
Clamp Files: Um Guia sobre a obra das mangakás mais famosas do Japão
 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Agradecimentos, CCXP e Muito mais

No dia 04 de novembro, um ano atrás, um monte de pessoas bacanas me ajudou a tornar o sonho de ver Dandelion impresso e agradeço imensamente. 
Foi o pontapé para várias outras coisas boas que aconteceram depois.
Vim não apenas agradecer, mas também fazer alguns convites para vocês.
Estarei na CCXP – Comicon Experience em São Paulo, no Artist’s Alley, nos dias 01 a 04/12. Quem quiser passar para deixar um alô, a minha mesa é a D27.
http://www.ccxp.com.br/experiencias/artists-alley/...


Também estou com uma página no Facebook, chamada Marca Rubra para divulgar meu trabalho.
Além disso, para quem ainda não viu, alguns quadrinhos meus estão disponíveis no Social Comics:
Um casal aprende que rótulos são coisas pequenas diante do amor.
Parte da Coletânea Que Diferença Faz?
A campanha contemplará as discriminações em todas as suas formas, com maior ênfase para aquelas baseadas em raça e etnia, gênero e orientação sexual, situação socioeconômica, crença religiosa e deficiências físicas ou psicológicas. Estão previstas atividades educativas presenciais e ações em redes sociais e mídia.(Fonte: www.mpmg.mp.br)
Raimundo acreditava que Julia era o grande amor de sua vida, mas ela o  abandonou ao se apaixonar por Armando. Mas Raimundo não vai desistir de Julia. Ele fará TUDO para tê-la de volta. Até recorrer ao sobrenatural.
Roteiro: Carol Cunha/ Desenho: Lucas Arts/ Cores: Leo Romão/ Letras: Vitor Carvalho
História de Amor:
Uma história singela sobre barreiras e encontros. Um casal vai se encontrar pessoalmente pela primeira vez, e junto com eles vão todas as expectativas e receios para que a noite seja perfeita.
Roteiro e Cores: Carol Cunha/ Desenho e Arte Final: Adriano Gomes
Novamente agradeço a todos pelo apoio. Sem vocês nada disso seria possível!​

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Oficina Gratuita Criação de personagens para narrativa visual


No dia 08 de outubro, estarei ministrando oficina gratuita no Circuito das letras.

DIA 08 DE OUTUBRO, SÁBADO

14h - Criação de personagens para narrativa visual

Local: Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Sala de Cursos do Anexo Prof. Francisco Iglésias)

A criação de personagens é parte importante do desenvolvimento de um projeto. Seja
para quadrinhos, animação, live action, games ou ilustração. Com o apoio da Casa dos Quadrinhos, a proposta dessa oficina é nos debruçarmos em aspectos que podem tornar um personagem mais interessante visual e psicologicamente, através de exercícios como criação de fichas dos personagens; estudos de concepts; expressões faciais e corporais.

Vagas: 20
Informações e inscrições: 3269-1232




Carol Cunha  - É ilustradora, quadrinista e animadora. Formada em Cinema de Animação pela UFMG em 2015, onde realizou o curta Romance Zumbi. É professora de Roteiro, Narrativa e História em Quadrinhos na Escola Técnica de Artes Visuais Casa dos Quadrinhos. Já colaborou para sites de quadrinhos e cinema como Terra Zero, Cinema em Cena e Lady’s Comics. Alguns dos seus quadrinhos autorais publicados são História de Amor (2013), Dandelion (2015) e a história Valenti@ para a Coletânea da Campanha "Que Diferença faz" (2015).

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Participação no Mullhere-se (Rede Minas) e Repóter PUC





Eu e a Rebeca Prado falamos sobre a participação das Mulheres nos Quadrinhos para o Reporter PUC. Participaram também do programa a quadrinista Laura Athayde, Samanta Coan, do Lady's Comics, e Afonso Andrade, curador do FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos.

Segue o vídeo do programa abaixo:




Também participei do programa Mulhere-se da Rede Minas, falando da Mulher Maravilha, ao lado da pesquisadora Dani Marino.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Troféu HQ Mix - Lista de Lançamentos e Pré-selecionados 2015


Muito lindo meu nome na lista de lançamentos/indicados 2015 do Troféu HQ Mix.
Apareço nas categorias:
Novo Talento – Desenhista, Novo Talento – Roteirista, Publicação Independente – Edição Única
Além disso o projeto Que Diferença Faz? que eu participei aparece na categoria Publicação Mix.
Não tenho ilusões que vou ganhar o Troféu, ainda estou engatinhando, mas é muito bom esse sentimento de reconhecimento como profissional da área!!!
Quero agradecer a todos que ajudaram Dandelion a nascer.:) Todo mundo está concorrendo para a PRÉ SELEÇÃO Depois, teriam os candidatos mais votados e daí, desses candidatos seriam selecionados os vencedores Mas só de terem lembrado de mim é uma grande conquista

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Venha para o Dia do Quadrinho Nacional


Eu e Nanako Nagase estaremos amanhã na Biblioteca Pública Participando do evento Dia do Quadrinho Nacional, com uma mesa!
Parte da venda de Dandelion no evento será doada para o Lar de Idosos Irmão Francisco.

O Lar de Idosos Irmão Francisco é uma associação de Sete Lagoas-MG criada para abrigar idosos em um ambiente acolhedor e proporcionar-lhes uma vida ativa e saudável. 
Página no Facebook: on.fb.me/20bacas

Sábado, 30 de janeiro às 9:00 - 17:00
Biblioteca Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
Rua Carangola, 288, 30330240 Belo Horizonte
Entrada Franca


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Minha participação na campanha: Que diferença faz?



Com o objetivo de promover o respeito às diferenças, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) lançou em setembro, a campanha 
Que diferença faz?. 


A campanha contemplará as discriminações em todas as suas formas, com maior ênfase para aquelas baseadas em raça e etnia, gênero e orientação sexual, situação socioeconômica, crença religiosa e deficiências físicas ou psicológicas. Estão previstas atividades educativas presenciais e ações em redes sociais e mídia.
(Fonte: www.mpmg.mp.br)
Parte da campanha se constituiu na elaboração de uma revista em quadrinhos, com colaboração de diversos artistas brasileiros, entre eles, a emblemática Laerte Coutinho.
Minha história se chama Valentin@

A revista pode ser lida abaixo:
Página da revista: http://issuu.com/quediferencafaz/docs/qdf_revista_digital_final

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Como apoiar um projeto no Catarse?

Muitas pessoas têm me perguntado como apoiar um projeto no Cartase.

No próprio site deles tem uma explicação: http://suporte.catarse.me/hc/pt-br/articles/202387598-Como-apoiar-um-projeto-

Mas resolvi fazer um tutorial com imagens para ninguém ter dúvidas!

E, claro, apoiar direitinho o meu projeto: https://www.catarse.me/catrinomicon


O texto é quase o mesmo do Catarse.

Para apoiar um projeto, basta que você siga este passo-a-passo:

1 - Acesse a página do projeto que quer apoiar;
2 - Clique no botão Apoiar este projeto.



(Se você não estiver cadastrado no Catarse, você será direcionado para a página de cadastro. - e você pode optar se cadastrar por e-mail ou por sua conta do facebook)


3 - Defina o valor do seu apoio e a sua recompensa.  Você pode optar por não escolher recompensa. O valor mínimo que você pode doar é R$ 10,00, mesmo que esse não seja o valor mínimo do projeto.

Clique em Revisar e realizar pagamento         


4 - Preencha seus dados (é necessário ter CPF) e clique em Próximos Passos



5 - Escolha a forma de pagamento para concluir o apoio (Cartão de crédito ou boleto bancário) e clique em Efetuar Pagamento

No cartão de crédito, dá para parcelar sem juros!


No caso do boleto, é bom não esquecer a data de vencimento!


 6 - Espalhe para todo mundo o gesto lindo que você acabou de fazer!

Dúvidas?

Entrem em contato com o pessoal do Cartase: 
http://suporte.catarse.me/hc/pt-br/requests/new

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

HQ - História de Amor

Esta é a minha primeira HQ publicada, feita em parceria com o desenhista Adriano Gomes.  Ela é baseada em um argumento feito com minha prima, Letícia Abreu, anos atrás... Uma história curtinha, singela e sem muitas ambições... sobre barreiras e encontros.

Espero que gostem e divulguem.



Para ver no site do ISSU: http://issuu.com/anacarolinacunha/docs/amorcor
Para baixar em pdf e ler com melhor resolução: http://mahouamaterasu.webs.com/amorcor.pdf


Tem uma versão impressa, que vou distribuir gratuitamente no FIQ 2013.  A sessão de autógrafos é no dia 13/11, às 17 horas no estande da Casa dos Quadrinhos.

Se não puder ir na sessão de autografos, vou deixar as restantes no estande do Pandemonio.



domingo, 30 de junho de 2013

Laços - Resenha

Arte: Lu Cafaggi   Foto:http://migre.me/fcU0t

Sem querer ser parecer esnobe, mas (infelizmente) já sendo, meu primeiro contato com Laços, tirando os anúncios da Internet, foram os originais do Vitor. Quem me conhece sabe que trabalho na Casa dos Quadrinhos e nós estamos organizando uma exposição com os originais dele e da Lu.

O coordenador da escola me passou os originais para escolhermos as melhores páginas (tarefa quase impossível, pois são todas maravilhosas), e eu comecei a folhear, sem conseguir despregar os olhos direito.

Mesmo sem o texto já dava para pescar alguns detalhes deliciosos.

Assim que eu arrumei uma brechinha, mandei um e-mail para o Vitor falando: "vi os seus originais de Laços e só posso dizer uma coisa PQP. Qdo eu solto um PQP é pq eu realmente gostei. E olha que eu vi sem o texto".

O Vitor ficou feliz com meu PQP e ainda completou que eu precisava ver os desenhos da Lu.

como precisava, não apenas os desenhos da Lu, mas também a história com o texto completo e os desenhos com as cores, o conjunto inteiro fez uma enorme diferença no resultado final. Se eu havia adorado a história sem os balões, com as falas me rendi completamente.

Terminei com lágrimas nos olhos.

Um pouco pela nostalgia porque vi muita coisa da minha infância ali, cresci vendo Goonies, Garotos Perdidos, Deu a louca nos Monstros, Viagem ao Mundo dos Sonhos e Conta Comigo. A história  realmente tem um climão desses filmes gostosos que a gente costumava ver na Sessão da Tarde dos anos 80 (Sessão da Tarde já foi sinônimo de filmes bacanas).

Goonies


Além de ter também, a questão da fuga do Floquinho, quem tem um cachorro, sabe como doi perdê-lo. Especialmente quando a gente é criança e já passou por algo parecido, sem um final feliz. Amor de cachorro é o mais incondicional de todos.

Acho que todo mundo já falou e não custa repetir a forma como eles trabalharam bem a relação, ou melhor, os laços entre os personagens, como cada um dos membros da turminha completa o outro, chegando a um equilibrio. Como Lu e Vitor enriqueceram personagens que já eram ricos. Ou como as cores do livros são maravilhosas. Gosto desses tons pastéis que o Vitor usa desde Duotone.

Duotone

Maravilhoso como o trabalho da Lu fortalece o do Vitor e vice versa. As páginas feitas pela Lu (inclusive as artes da contracapa) dão uma dimensão ainda maior para a história, tornando o background da aventura em busca do Floquinho ainda mais consistente.

A delicadeza dos traços da Lu é algo excepcional, e, confesso que fiquei particularmente apaixonada pelo cabelo do Cascão que ela fez.

Mas não é só a relação entre os quatro que é tão bem delineada, mas também a do Cebolinha com sua família, ou das famílias entre si (adorei o Xaveco brincando com a Maria Cebolinha), tudo mostrado em poucos, mas precisos, quadros.

Entretanto, são os detalhes no decorrer da história (e aqui vem os SPOILERS), que me conquistaram de vez.

Detalhezinhos que são cereja do sundae:  por exemplo, o  Cascão de Capitão Gancho parando para beijar a Cascuda, apesar de fugir da Monica, o Titi cantando a Aninha, o Xaveco se ferrando, a aparição da Xabeu, a cena do Cascão correndo de um lado do outro no quadrinho vigiando os amigos dormindo.

Adorei o modo como usaram a referência a Peter Pan, que eu achei que ia ficar só no começo, mas que depois foi bem reaproveitada, e comecei a viajar no fato de que, apesar da turma da Mônica Jovem, eles são meio como Peter Pan, pois nunca crescem.  Na história eles são literalmente, Meninos Perdidos, mas acabam, também, metaforicamente, o sendo.

Outras coisas interessantes  são: o fato como os Cafaggi conseguiram sugerir a falta  de dedões no Cascão, Mônica e Magali, ao perderem os sapatos e ficarem só de meias, enquanto o Cebolinha continua calçado (acho que tem alguma história que fala isso, mas não tenho certeza), ou o quadro do quarto do Cebolinha  como Tocador de Pifaro, tal qual apareceu na clássica série Quadrões da Turma da Mônica, ou o Cebolinha ainda ter o caminhãozinho que o Cascão deu primeiro dia que se conheceram (coisa que a gente só vai ver no final da história), a história do Maurício criança, e as histórias da turminha ao redor da fogueira, que são, para quem tem uma memória relativamente boa, referências a outras histórias da Turma da Mônica.

Quadrões Vol 01


A estante de brinquedos do Cebolinha é um caso a parte, com Homem-Aranha, Optimus Prime, He-Man, Lion-O. Quem já leu Puny Parker, sabe que o Peter também tinha alguns desses brinquedos, o que me faz pensar se não seriam os brinquedos da infância do Vitor.

Puny Parker # 121 por Vitor Cafaggi

Obviamente não poderia deixar de falar nas participações especiais no decorrer da história:

Manual do Patinho Escoteiro é obviamente referência ao saudoso Manual do Escoteiro Mirim, leitura quase obrigatória para o pessoal da minha geração (que é a mesma do Vitor).



Os arquinimigos da Turminha são a cara da Turma da Luluzinha, é fácil identificá-los com Bolinha, Lulu, Glorinha, Aninha, Carequinha, Zeca, Juca, Plínio. Que aparentemente são "garotos malvados", mas que mostram seu caráter nobre ao cederem bicicletas ao Cebolinha e seus amigos prosseguirem na busca por Floquinho.

Turma da Luluzinha

Claro que quem cresceu vendo Chaves deve ter também percebido que um certo vendedor de churros chamado Ramon é ninguém mesmo que Don Ramon, conhecido aqui como Seu Madruga.

Seu Madruga vendendo churros

 Não poderia deixar de falar da sequencia de abertura de Laço, que tem um quê da sequencia dos Goonies (minha sequencia favorita de abertura de filme de todos os tempos), apresentando os personagens em uma perseguição com várias coisas acontecendo em paralelo. Também amei o modo como terminaram a graphic exatamente com uma sequencia igual ao do começo, fechando um ciclo e começando outro, lembrando que a turma da Mônica possui em sua essência essa coisa  de situações se repetirem e se renovarem.

Laços simplesmente tocou meu coração.

Quem tiver a oportunidade de ir na Casa dos Quadrinhos ver os originais depois de ler a graphic, não vai se arrepender.



Para encerrar, gostaria de citar o Sidney Gusman, que disse exatamente o que penso sobre os dois irmãos:

"Dois dos mais promissores talentos do quadrinho nacional, Vitor e Lu Cafaggi têm uma qualidade rara: eles transmitem uma carga absurda de emoção em suas histórias, sem nunca pender para o piegas. Muitos tentam isso; poucos conseguem." 
                                                    Sidney Gusman, editor de Turma da Mônica – Laços

ps- O Rafael da Costa Silva me falou no  Facebook que tem também referência a Warriors, mas como não vi o filme, me passou despercebido. Se alguém observar mais alguma coisa, sinta-se a vontade para deixar nos comentários.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Expresso e Katchiannya no Lady's Comics



Dia 16 de outubro foi o lançamento oficial do blog/site Lady's Comics na Casa dos Quadrinhos.

Não conhece? Então não sabem o que estão perdendo. ^^ Com a palavra as donas do site.


O que é o Lady’s Comics?

Lady’s Comics é um blog que foi criado a partir da necessidade de ter no ciberespaço um lugar que falasse da banda desenhada com uma visão feminina. Por isso, Mariamma Fonseca, jornalista, Luciana Cafaggi, ilustradora e Samanta Coan, designer lançaram no dia 1 de setembro o blog Lady’s Comics. A receptividade na internet foi muito boa, no segundo dia de lançamento aconteceram mais de mil visualizações. Desde esta data ele se mantém nessa média. Além disso, o blog foi noticiado em vários lugares, inclusive no caderno de suplemento juvenil “MEGAZINE” do jornal O Globo – segundo jornal mais lido do país.
O projeto de blog Lady’s Comics está além do conceito de blog tradicional. Procuramos nos dedicar diariamente em textos e pesquisas que envolvem o tema Banda Desenhada.
Não queremos fazer um embate ou briga entre os sexos! Rsrs Mas mostrar que os quadrinhos também fazem parte do sonho de algumas mulheres. Mostrar quem são o que desenham e como procuram se destacar no mercado. Vamos mostrar como é o ofício de ilustradora, chargista, cartunista e tantas profissões que permeiam este universo na vivência e visão feminina. E claro falar de seus lançamentos, novidades e história


No evento, elas lançaram o Varal das Ladies, onde foram expostos desenhos de vários artistas, inclusive desta escriba que vos fala. Mandei meu trabalho de faculdade chamado Limpando o Quarto. Uma história em quadrinhos feita em 4 dias, que vocês podem conferir clicando na imagem abaixo:




A Dani, nossa ilustradora oficial do Expresso Hogwarts também marcou presença, com um desenho/painel.

Mulheres nos Quadrinhos


Comentário da Dani: Enfim, minha idéia inicial era um desenho pequeno e simples, mas como ninguém segura a minha criatividade quando ela sai da jaula, acabou por sair um desenho dividido em oito! Então aproveitei o feriado e cai de cabeça nele. Deu um certo trabalho, mas gostei do resultado final (apesar do meu pescoço estar doendo os infernos de tanto ficar curvada sobre a prancheta...).
E também decidi fazer uma espécie de homenagem e usei todas as meninas do Expresso nele. Tem todas que eu já havia desenhado mais a Yvaine. E como cada uma delas tem uma personalidade diferente, acabou por diferenciar bastante uma da outra e ficou bem legal. Pelo menos eu gostei bastante. Tentei deixar a feminilidade bem evidente para contrastar com os quadrinhos, embora não tenha dado para caprichar muito nos cenários (não como eu gostaria de ter feito, pelo menos).

O evento foi bem divertido. Teve sorteios de livros, quadrinhos, cadernos costumizados e muito mais.

Para quem quiser mais detalhes, indico os links abaixo:

ladyscomics.com.br/agradecimentos-e-imagens

flickr.com/ladyscomics/

casadosquadrinhos/ladys-comics-festa

area171/festa-de-lancamento-do-blog-ladys

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Caminho da Roça (Saino a Percurá - atualizado 26/05/17)



Marcelo Lelis, mais conhecido simplesmente como Lelis, é provavelmente um dos artistas mais expressivos, completos e talentosos do cenário nacional.

Lelis já foi ilustrador do jornal Estado de Minas e da Folha de São Paulo, já tendo participado de vários Salões de Humor e de quadrinhos pelo Brasil, ganhando também vários prêmios. A segunda história de Saino a Percurá, "Neo Liberal", apareceu primeiramente na 3ª Bienal de Quadrinhos, em 1997, na qual foi premiada.

Ele também participou de uma das histórias do especial Mauricio de Souza 50 anos, protagonizada pelo Chico Bento.

A Editora Casa 21 publicou sua série de ilustrações sobre Ouro Preto, Congonhas, São João del Rei, Tiradentes e Diamantina em 2005.

Vencedor do Prêmio Jabuti, o mais importante prêmio literário do Brasil, ilustrou os livros “Aquilo que Não se Vê”, com texto de Clovis Levi, e Hortência das Tranças, com textos e ilustrações de Lelis, ambos publicados  Editora Abacate

Seu talento é reconhecido não apenas no Brasil, mas também internacionalmente. Em 2002 foi convidado para participar do Festival de Angoulême, um dos mais importantes festivais de quadrinhos do Mundo, na exposição Traits Contemporains!

Em 2009, publicou também no mercado exterior dois trabalhos: o álbum Dernières cartouches (Últimos cartuchos), pela editora francesa Casterman, com roteiro de Antoine Ozanam, uma história ambientada na Guerra Civil Americana e uma história na antologia sérvia Stripolis. Em 2011 também participou de uma coletânea canadense: The Anthology Project (Lucidity Press, 2011).

Em 2013, Marcelo Lelis ganhou exposição em sua homenagem no 8º FIQ, e, em 2016, foi um dos convidados da CCXP, participando do Artist’s Alley, no qual levou a coletânea de uma série de ilustrações que trazem super-heróis americanos, como Mulher Maravilha, Flash, Superman, em cenários das cidades históricas de Minas Gerais.

Um dos seus trabalhos mais marcantes (e um dos meus favoritos) é o álbum Saino a Percurá, publicado originalmente em 2001 através da Lei de Incentivo à Cultura.

Com traços pouco convencionais, uma linguagem próxima da linguagem do povo e texto ritmado mesmo quando não há rimas, Saino a Percurá lembra muito as obras de literatura de cordel, especialmente a primeira história (que dá título ao álbum). Aliado a tudo isso, ainda temos nas histórias um fundo de crítica social deliciosamente sutil e ao mesmo tempo cáustica. Com todos esses elementos reunidos, não há como negar que estamos diante de uma obra-prima.

A história título é de um absurdo incrível: conta a fábula de um desafortunado filho de um pato e uma galinha (?!), cujo possível destino certo seria a panela. Entretanto, contrariando essa premissa, ele acaba por surpreender a todos que o conheciam. A segunda história, a já citada "Neo Liberal", poderia também se chamar uma tragédia sertaneja ou "saindo do fogo para cair na frigideira", mostrando, de forma curta porém crítica, a ironia do destino de muitas mulheres do interior, cujas escolhas na vida (ou as escolhas que a vida faz para elas) acabam sempre por levar a um desfecho amargo.

Já a terceira história, "Mudernidades", é uma crítica sagaz à televisão, ou melhor: ao processo de zumbificação promovido pela TV, especialmente nos membros das camadas mais carentes da sociedade, que volta e meia vivem suas vidas mais pelo que acontece com os personagens de uma novela ou de um programa que por aquilo que ocorre em suas próprias vidas.

Saino a Percurá é um trabalho único e especial, caracterizando a vida no interior de forma genuína e sincera, embora carregada de crítica, mostrando-se uma obra verdadeiramente brasileira.

O álbum foi relançado pela editora Zarabatana e traz mais dez outras histórias: algumas inéditas, outras publicadas em coletâneas independentes nacionais (Ragu e Graffiti 76% Quadrinhos), estrangeiras (a citada The Anthology Project), e duas que foram vencedoras do Salão Internacional de Humor de Piracicaba (edições de 1997 e 1998).



Lugares para encontrar o trabalho do Lelis:
https://www.instagram.com/aqualelis/
https://www.facebook.com/lelis.67/
http://aqualelis.blogspot.com.br/
Sexta, 2 de junho DE 2017 às 19:00 - 21:00
Sesc Palladium
Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro |ENTRADA GRATUITA