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sábado, 3 de setembro de 2016

A Queda do Jedi

Arte: Renata Castellani - http://bit.ly/2cd1qnz


Ou quando seu sonho é melhor que o roteiro do George Lucas


Ontem eu tive um sonho com o prequel de Star Wars.

Como muitas pessoas, eu detestei os episódios I,II e III... e acho que meu subconsciente quis me dar uma versão mais digna – pelo menos para mim – do que levou Anakin Skywalker a virar Darth Vader.

No meu sonho, os jedis podiam ser casar (o que faz muito sentido se a gente considerar a  merda dos midchlorians. Pra que celibato? Era só os jedis casarem, terem uma perrada de filhos para aumentar a Ordem).

Padmé era senadora, mas nunca foi rainha de Naboo. Era irmã caçula de Miranda, esposa de Bail Organa. Ela e Anakin (que não era o Hayden Christensen, mas não era nenhum ator que conheça) eram casados.
As guerras clônicas estavam acontecendo e se arrastando fazia alguns anos. E a Ordem dos Jedi designou Anakin para uma missão de infiltração que duraria de 2 a 3 anos em um ponto distante da Galáxia.

Ele não queria deixar a esposa e os filhos que estavam prestes a nascer . Mas Obi Wan e Yoda convenceram Anakin da importância da missão.

Miranda também estava grávida na mesma época que Padmé, mas acabou perdendo o bebê pouco depois que Anakin partiu.

Nesse meio tempo, com os meninos um pouco maiores, Padmé adoeceu seriamente.  Ela e Leia foram para Alderaan ficar com Bail e Miranda. Luke foi para Tatooine ficar com Owen (que realmente era irmão de Anakin) e Beru.

Padmé não resistiu à doença e acabou falecendo.  Enquanto isso, Tatooine foi atacada e aparentemente Owen, Beru e Luke haviam morrido, mas tinham conseguido escapar para um abrigo subterrâneo.

Numa dessas confusões de comunicação a lá Romeu e Julieta, Anakin recebeu a notícia de que tanto Padmé quanto os dois filhos haviam morrido. (Por isso ele achava que Leia era sobrinha dele, filha da Miranda e do Bail)

Ele surtou completamente, largou a missão, se culpando por não estar ao lado da esposa e dos filhos quando eles mais precisaram, sentindo-se traído pelos Jedis.

Tudo que ele queria era Vingança. Contra os Jedis, pois tudo o que era mais importante na vida de Anakin foi tirado por cumprir cegamente as ordens deles.

O sonhou terminou com Anakin voltando para casa, prestes a ferrar com tudo.

Se um dia eu tiver ânimo, quem sabe escrevo uma versão extendida?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Exibição do meu curta Romance Zumbi hoje à noite, no Rio


Para quem está no Rio de Janeiro, o meu curta Romance Zumbi, poderá ser conferido, no  Anim!Arte!,  às 19:20,  na Escola de comunicação e design digital do instituto INFNET .

Romance Zumbi: O encontro de um casal de zumbis em uma praia resulta em um desastre,pois a namorada-zumbi perde literalmente a cabeça no mar, sem alternativa, o namorado parte para o resgate.Por trás de uma gag divertida, existe uma reflexão de como um amor obsessivo pode fazer com que tudo ao redor seja destruído. Além de uma homenagem aos filmes de terror B dos anos 50 e 60.

Sobre Anim!Arte: é um festival de animação voltado para o público estudantil, e tem como objetivo incentivar a cultura e o crescimento profissional e artístico na área de animação no Brasil estimulando principalmente o aumento de produções audiovisuais de animação entre estudantes.

Entrada gratuita ( espaço sujeito a lotação) 
Escola de comunicação e design digital do instituto INFNET : Rua do Rosário, 129 - Centro (próximo ao metrô Uruguaiana).

Links:
http://www.vouanimarte.com.br/

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sobre o Espetacular Homem Aranha...

Participação minha, do quadrinista Vitor Cafaggi e da escritora Cleide Fernandes no jornal Estado de Minas sobre novo filme do Homem-Aranha.
Super-herói na BerlindaFãs especializados em quadrinhos se dividem em relação ao novo filme do Homem-Aranha. Só os atores Andrew Garfield e Emma Stone conseguem escapar da crítica rigorosa dos aficionados


Carolina Braga

Publicação: 09/07/2012 04:00



Ainda que os números da estreia de O espetacular Homem-Aranha sejam expressivos – lucro de US$ 140 milhões em seis dias –, o chamado reboot da trama de Peter Parker, dirigido por Marc Webb, não tem impactado tanto quanto a primeira trilogia do super-herói protagonizada por Tobey Maguire. Na verdade, o que marca a produção estrelada por Andrew Garfield e Emma Stone é o racha na opinião de fãs, principalmente aqueles especializados em quadrinhos.

“Achei mediano. O filme tem menos detalhes para atrair os fãs e mais para o grande público”, observa Ana Carolina Cunha, mestre em HQ pela Universidade Federal de Minas Gerais, funcionária e aluna da Casa dos Quadrinhos de Belo Horizonte. “Tentaram fazer uma história mais densa, pautada nos dramas psicológicos do personagem, mas não funcionou”, completa a bibliotecária Cleide Fernandes, também colaboradora da escola especializada mineira.

Como quase tudo o que envolve personagens do naipe de Homem-Aranha, as adaptações misturam tantos elementos dos quadrinhos que, de fato, nunca alcançam unanimidade. Se isso já se dava com a trilogia, agora a tendência se reforça com novos atores e a volta da trama às origens. “Gostei bastante. O filme tem estrutura de roteiro muito parecida com a do primeiro da série, além de elementos do segundo longa. Mas a grande vantagem é o elenco. Andrew está espetacular: ele é o Peter Parker. Emma também está bem, essa caracterização conta muito”, analisa o desenhista Vitor Cafaggi.

Há um ponto em comum nas opiniões de gente especializada em HQ: a caracterização de Emma Stone como Gwen Stacy. “Parece que a tiraram dos quadrinhos e levaram para a tela. O visual é muito parecido, até os figurinos”, surpreende-se Cafaggi.

Para o quadrinista, o Peter Parker de Andrew Garfield também é muito parecido com a caracterização dada pelo desenhista Steve Ditko, em 1962. “Ele era bem magrelinho, com o cabelo arrepiado, sobrancelha grossa. Na primeira trilogia, toda vez em que ele tirava a máscara eu me incomodava. No novo filme isso não ocorreu, pois o Andrew é muito parecido com o personagem”, diz Vitor.

Está aí uma diferença fundamental entre a HQ e o filme: na tela, a todo momento Peter Parker mostra sua identidade. “Isso me irritou, porque a questão do herói é justamente esconder quem é. Nesse filme, ele revela para todo mundo que é o Homem-Aranha. Isso esvazia um pouco”, critica Cleide Fernandes. “Esse recurso do cinema permite ao ator aparecer mais. Dizem que a máscara limita muito a visibilidade deles. Acho que a personalidade do novo Peter Parker também é mais fiel, ele não ficou tão bobão. Está mais destemido”, observa Caffagi. Eis outra controvérsia na guerra HQ versus cinema.

 “O Peter Parker é nerd, mas isso ficou falho. É mais um adolescente normal, incompreendido, que está aquém da imagem clássica do personagem”, afirma Ana Carolina Cunha. Para ela, mais grave que Peter Parker, a mancada de O espetacular Homem-Aranha é a caracterização do vilão Doutor Connors/ Lagarto. “Nos quadrinhos, ele só fica mau quando vira Lagarto. Essa dualidade não está clara no filme. Virou um personagem obcecado por ciência, por melhorar a espécie humana”, reclama a fã.

REPETECO Autor das tirinhas Puny Parker, inspiradas na infância do herói, Vitor Cafaggi é tão aficionado em Homem-Aranha que já viu o novo filme duas vezes – em 3D e na versão convencional. A tecnologia, um dos diferenciais do longa recém-lançado, não o empolgou. “Gostei mais do 2D. As cores ficaram mais vivas e dá para você entender os movimentos do Homem-Aranha”, compara Vitor.

Para Ana Carolina, o formato 3D não conseguiu agregar emoção à ação. “Achei as cenas fracas. Não dá empolgação vê-lo pulando de prédio em prédio. Não gostei dos momentos em que parecemos estar nos olhos dele. Tive a sensação de jogar videogame com o filme”, criticou ela.


CONFIRA
Pegando carona na estreia de O espetacular Homem-Aranha, ficará em cartaz, entre os dias 12 e 30, a exposição Heróis dos quadrinhos, parceria da Casa dos Quadrinhos com o Diamond Mall. Estarão à mostra esculturas e ilustrações de artistas mineiros em homenagem a seus heróis prediletos. O público que for ao shopping também poderá conferir revistas raras de colecionadores e o acervo da Casa dos Quadrinhos. Serão oferecidas oficinas gratuitas de quadrinhos para crianças de 7 a 12 anos. Informações: (31) 3330-8633. 


RESUMO DA OBRA


As tirinhas Puny Parker, sobre a infância de Peter Parker, projetaram a carreira do desenhista mineiro Vitor Cafaggi. “Fiz como brincadeira, um treino para os quadrinhos. Hoje, desenho para grandes publicações”, conta ele. Em 140 tiras, Vitor conta uma história inteira reunindo vários elementos das tramas originais desenhadas por Stan Lee, Steve Ditko e John Romita. O trabalho está disponível em www.punyparker.blogspot.com.
Fonte: Jornal Estado de Minas em 09/07/2012

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Em palpos de Aranha (ou: como a Marvel descobriu que qualidade faz bem ao bolso, e evita que uma horda de fãs raivosos se volte contra ela)


Com a estréia de O Espetacular Homem-Aranha, nada melhor que dar uma voltinha no Túnel do Tempo e lembrar como dez anos atrás, Homem-Aranha (2002) deu, junto com os X-Men de Bryan Singer, o pontapé inicial para a era de ouro de adaptações de super-heróis para o cinema (claro que com vários tropeções no meio do caminho).


Durante anos, a Marvel amargou diversas adaptações live action de seus heróis, sejam filmes ou seriados de TV, que pouco ou nada tinham a ver com o original, além de serem de qualidade extremamente duvidosa, haja vista o filme do Dr. Estranho, o Quarteto do Roger Corman.  Com X-Men - O Filme, o tabu finalmente foi quebrado. Mas, apesar de todas as qualidades do filme dos mutantes, o filme primeiro do Aranha conseguiu ser ainda melhor.


Criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1962, Peter Parker, alter ego do herói, surgiu primeiramente no último número da revista Amazing Fantasy. A história fez tanto sucesso que logo depois a personagem ganhou título próprio. Parker, sem sombra de dúvida, revolucionou o conceito de super-herói. Não tanto pelo tipo de poder que possuía, mas por ser caracterizado como uma pessoa comum, com problemas, qualidades e defeitos como qualquer um de nós, apesar de suas habilidades sobre-humanas.


Peter é um típico nerd, "10 nos estudos/zero na vida", rejeitado por todos, mas amado pelos tios, que o criam desde a morte dos pais. Quando é picado por uma aranha radioativa - no filme, ela é geneticamente alterada - e ganha seus poderes, qual a primeira idéia do rapaz? Usar seus poderes em prol da humanidade? De forma alguma: como um mero e imperfeito mortal, ele resolve usar os novos e recém adquiridos poderes para conseguir uma graninha. E se não fosse por um ato impensado e egoísta de Peter, que resultou na morte de seu Tio Bem, ele nunca teria se tornado um herói nem seguiria o famoso lema "com grandes poderes vem grandes responsabilidades".


As histórias das revistas do Homem-Aranha sempre foram sobre Peter Parker, seus problemas, dúvidas e inseguranças, sobre sua culpa e busca de redenção. A empatia e identificação do leitor com a personagem eram/são imediatas e profundas. O primeiro grande acerto do filme foi exatamente compreender isso e contar a história de Peter Parker, concebendo o Homem-Aranha não como o aspecto principal de sua vida, mas como uma característica complementar, embora importante.


A começar pela narração em off feita por Peter no início e no fim da película, passando pela primeira cena em que vemos nosso herói correndo desesperado atrás do ônibus da escola, sem falar nas cenas em que começa a descobrir seus poderes, tudo é apresentado de modo que criemos um laço com a personagem. Não muito diferente do que ocorre nas HQs. E sem perceber, o espectador se vê irremediavelmente preso na teia de Parker.


Outro acerto foi a fidelidade com a essência da história do herói. Embora muitos fatos tenham sido modificados, como por exemplo Mary Jane e Peter se conhecerem desde crianças, ou Harry ser seu amigo desde o colégio (nas revistas, Parker conhece os dois na faculdade), ou a mais polêmica, a famosa teia orgânica, tudo o que vimos nos quadrinhos está lá: Tio Ben, Tia May, a paixão de Peter por M.J., a amizade de Peter e Harry e a insinuação do trágico futuro que os espera, a dualidade do Duende Verde/Norman Osbourne.


Resumir os quase quarenta anos da vida quadrinística do Homem-Aranha não seria fácil, e a solução do roteirista não poderia ter sido melhor: concentrar-se na história de sua origem e nas histórias de uma de suas melhores e mais importantes fases, durante a década de 70, com seus conflitos contra o Duende Verde que culminaram na morte da namorada de Peter, Gwen Stacy.


Tobey Maguire está perfeito como Peter Parker. Não poderiam ter escolhido um ator melhor, pois Maguire não é nenhum galã, mas não é nenhum "monstro do pântano", além de ser um ótimo ator. Ele expressa toda a densidade da personagem - consegue nos convencer de que é o Caxias rejeitado, o rapaz apaixonado, o sobrinho dedicado e o herói atrevido e bem-humorado, muitas vezes apenas com um único olhar. Ele não atua como Peter Parker, ele é Peter Parker.


Kirsten Dunst também está maravilhosa como Mary Jane. Embora na revista original ela não seja a primeira namorada de Peter (antes dela vieram Betty Brant e Gwen Stacy), é a escolha ideal para ser o par romântico do Aranha nas telas. Mary Jane é tão complexa e interessante quanto Parker: se por um lado é a garota mais popular da escola, sonha em ser atriz e está sempre pronta para um agito, por outro é uma garota carente e infeliz, fruto de um lar desestruturado. Sem falar no seu anterior envolvimento amoroso com Harry, que acrescenta um tempero mais dramático à trama. Tudo isso foi transposto de forma incrível para o filme, e Dunst caiu como uma luva para o papel.


A representação do Duende Verde feita por Willem Dafoe também merece elogios, assim como a retratação da personagem como um portador de distúrbio de dupla personalidade (Norman/Duende); ao mesmo tempo, essas personalidades se antagonizam e se completam. A armadura do Duende, dado o contexto como é apresentada no filme, é até aceitável, embora a máscara e o capuz das HQs tornem o vilão bem mais sinistro.


As cenas de ação parecem uma revista em movimento e são de tirar o fôlego. E talvez a sorte do aracnídeo tenha sido justamente aquilo que durante muito tempo acreditava-se ser sua maldição, pois se não fossem os rolos judiciais que atrasaram o projeto, o filme do Aranha não poderia ter acesso à tecnologia que na época já  permitiu que as cenas do herói entre os prédios de Nova York parecessem tão convincentes.


Para os fãs de HQs também foi emocionante ver personagens secundárias como Flash Thompson, Betty Brant, Joe Robertson, e principalmente J. Jonah Jamenson (que parecia decalcado diretamente das revistas) no filme. Entretanto, o que custava manter o nome original do lutador que Peter enfrenta, o Crusher Hogan, que no filme é chamado de "Serra Ossos" Shaw?


Mas para não dizer que só elogiei o filme, é claro que houve certos aspectos que me desagradaram. Primeiro, aquela história meio Darth Vader do Duende - "Oh Aranha, junte-se a mim, pense no que poderíamos fazer juntos"... Por favor... Ele ainda nem sabia que o Aranha era Peter, o rapaz que ele considerava quase como um filho. Perdeu uma excelente oportunidade de se livrar do herói que lhe incomodava.


Outra foi a cena em que o Duende, agora já sabendo que Peter Parker e o Homem-Aranha são a mesma pessoa, ataca a Tia May, enquanto ela reza. Foi uma cena extremamente forçada e artificial. Olhem só que coisa "tosca": Tia May está rezando o "Pai Nosso", e quando chega no trecho "livrai-nos do mal", o Duende aparece, estourando o quarto dela, e grita "continue!" Então Tia May berra: "do maaaaaaaal!" Se o roteirista queria tornar a cena mais dramática, o que consegue mesmo é nos deixar constrangido com esse disparate. Aliás, que vilão mais frouxo! Só vai lá, assusta a velhinha, não faz mais nada e vai embora. Perdeu outra oportunidade de ouro de destruir o herói, caso tivesse matado Tia May.


A declaração de amor de M.J. para Peter também deixou a desejar. Não que seja difícil acreditar que ela seja apaixonada por ele, isso é óbvio desde o início do filme, menos para ela. A questão é que a declaração em si soou artificial, diretamente extraída das páginas de um exemplar de Sabrina. Poderia ter sido mais natural sem deixar de ser apaixonada. E para completar, não dá para deixar de citar a dispensável participação especial de Macy Gray, que participa da trilha sonora do filme: digna de Carlinhos Brown em Velocidade Máxima 2 e Caetano Veloso em Orfeu.

Mas apesar dos pesares, o Homem-Aranha ganhou uma adaptação cinematográfica que só pode ser descrita em uma única palavra: AMAZING!

O ápice da trilogia, sem sombra de dúvidas, é o segundo filme, com uma trama mais complexa que a do primeiro, cenas de ação mescladas com momentos de puro terror como o acidente que criou o Dr. Octopus, e uma das cenas mais emocionantes de uma adaptação de quadrinhos, quando Peter tenta parar o metrô e exaurido de cansaço, desmaia, sendo protegido pelos ocupantes do metrô.


Uma pena que no terceiro filme todos os ganhos dos anteriores se percam em um roteiro confuso, mal-amarrado, e personagens de tanto potencial como Mary Jane se esvaziem, o mesmo acontecendo com o próprio Peter, desdenhosamente chamado por todos nós de"Emo-Aranha"nessa última parte de uma franquia que tinha tanto potencial para se encerrar de forma épica.


Agora só nos resta saber se Andrew Garfield fará jus a Tobey Maguire, se O Espetacular Homem-Aranha será um filme digno de nota ou uma decepção para os fãs dos quadrinhos e do filme original.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Spiderman versus Superman





Nos últimos anos, uma avalanche de adaptações cinematográficas baseadas em histórias em quadrinhos vem invadindo as salas de projeção de todo o mundo. Algumas com mais sucesso e mais competência que outras. Dentre esses grandes sucessos, podemos destacar os filmes protagonizados pelo Homem-Aranha: o primeiro, de 2002, e sua continuação, de 2004 (o terceiro não conta aqui por ser considerado quase por unanimidade uma desastre cinematográfico).


Aproveitando a deixa da nova versão que estréia na próxima sexta-feira, voltamos no tempo para rever alguns pontos interessantes desses  filmes.





Não querendo desmerecer os filmes dirigidos por Sam Raimi (Evil Dead), que podem ser considerados duas das melhores adaptações de super-heróis para a tela grande, após uma análise mais acurada pode-se perceber que existem muitas similaridades estruturais entre os dois filmes estrelados pelo amigo da vizinhança e os dois primeiros filmes estrelados pelo Superman.

Talvez seja um pouco estranho para os não-fãs de quadrinhos comparar o Superman e o Homem-Aranha. Aparentemente, ambos teriam muito pouco em comum, além do fato de serem os principais heróis de suas respectivas editoras - a DC e a Marvel Comics.

Mas as semelhanças entre eles são bem maiores do que imaginamos. Ambos trabalham na imprensa: Peter Parker no "Clarim Diário" (embora nas histórias recentes ele tenha se tornado professor) e Clark Kent no "Planeta Diário". Suas famílias (os pais de Clark e os tios de Peter) têm uma influência muito forte na vida dos super-heróis. Além disso, suas amadas, Lois Lane e Mary Jane, além de possuírem personalidade forte, também exercem um papel extremamente significativo na história desses heróis.

É claro que em termos de personalidade Peter Parker/Homem-Aranha e Clark Kent/Superman são bastante diferentes. Quando pensamos no aracnídeo, sempre nos vem à cabeça a imagem daquele herói descolado e engraçado, mas ao mesmo tempo cheio de problemas, conflitos e insegurança. Já o Superman nos passa a sensação de uma imponência e infalibilidade quase infinitas - apesar de os roteiristas das aventuras do Homem de Aço tentarem, nos últimos tempos, amenizar essas características.

Contudo, as semelhanças entre os filmes do Aranha e os filmes do Superman não estão calcadas nas similaridades das personagens que eu acabei de apontar, mas sim em uma estruturação narrativa “de fundo” que guia as histórias dos filmes.

Dirigido por Richard Donner e lançado em 1978, o primeiro filme do Superman foi um marco nas adaptações de quadrinhos de super-heróis e é considerado por muitos como um dos melhores filmes do gênero. A este filme se seguiram outras três continuações, sendo que apenas a segunda merece algum destaque em termos de qualidade.

Tanto em Superman (1978) quanto em Homem-Aranha(2002), somos inicialmente apresentados aos heróis durante sua adolescência, fase de mudanças e descobertas. Nem Peter nem Clark são necessariamente os “caras mais populares do pedaço”, muito pelo contrário, são os “esquisitões” e tudo o que querem é achar seu lugar no mundo e conquistar o coração da garota mais bonita da escola (Lana Lang, no caso de Clark, e Mary Jane, no caso de Peter). A origem dos poderes desses heróis também é mostrada: a herança alienígena do Superman e a picada da aranha geneticamente alterada no Homem-Aranha. A perda trágica da figura paterna (o pai adotivo de Clark em um ataque cardíaco, e a morte do tio de Peter em um assalto) marca tanto a saída das personagens da casa em que cresceram como a passagem para a vida adulta. A transição das descobertas dos poderes até a aceitação deles como uma ferramenta em prol da humanidade seria o mote principal de ambos os filmes. 

Outro ponto em comum nas películas é o papel de destaque dos interesses românticos dos heróis, Lois Lane e Mary Jane, assim como a impossibilidade da realização do amor entre os heróis e suas respectivas amadas.

Algumas cenas específicas também fazem uma aproximação entre as obras:

(1) a cena em que o Superman salva Lois, que cai de um prédio, em paralelo com a seqüência em que o Homem-Aranha salva MJ, que também cai de um prédio após um ataque do Duende Verde;

(2) o passeio romântico do herói e da mocinha pela cidade - voando, no caso do Superman e Lois, ou se balançando de prédio em prédio, no caso de Mary Jane e do Homem-Aranha.

Em Homem-Aranha 2 (2004) as similaridades comSuperman 2 (1980) também estão presentes. Em linhas bastante gerais, as histórias de ambos os filmes podem ser resumidas do seguinte modo: o personagem principal, já estabelecido em seu papel de super-herói, começa a perceber que seus poderes podem não ser necessariamente uma benção, mas talvez uma maldição que o afasta daquela que mais ama. Portanto, ele decide abrir mão desses poderes para viver ao lado de seu amor. Entretanto, uma grande ameaça surge, fazendo com que o herói perceba que não pode fugir da responsabilidade que seus poderes lhe conferem e decida retomar seu papel de super-herói.



Em Superman 2, Clark decide ficar com Lois e se tornar um homem comum perdendo seus poderes graças a um artefato kriptoniano. A ameaça que faz com que ele decida se tornar novamente um herói são três criminosos de Kripton, inimigos de seu pai biológico, que se soltaram de uma prisão conhecida como Zona Fantasma e agora ameaçam a Terra. Em Homem-Aranha 2, Peter decide largar o manto de Homem-Aranha devido a uma série de fatores (inclusive a perda de seus poderes, causada por uma espécie de bloqueio psíquico), aproveitando a oportunidade para reconquistar o amor de sua vida, Mary Jane. Mas antes que isso seja possível, Peter reconhece que deve voltar a ser o Homem-Aranha para defender a cidade de Nova York da ameaça do Doutor Octopus.

Contudo, o desfecho romântico das histórias é completamente distinto, pois em Superman 2 Clark decide abrir mão de seu amor por Lois, mas não deixa que ela realmente decida o que quer. Já em Homem-Aranha, embora Peter também abdique de viver ao lado de MJ, a decisão final cabe a ela.

Também é digno de nota que, embora os filmes do Superman e do Aranha tenham uma estrutura bastante semelhante, ainda assim eles são diferentes entre si em aspectos de ritmo, tom e situações secundárias, afinal refletem tanto aspectos únicos das personalidades dos heróis mostrados na tela quanto o período em que foram realizados.

Não digo que os realizadores do Homem-Aranha tenham construído de forma consciente essas semelhanças entre as histórias de seus filmes e as dos dois primeiros filmes do Superman. E ainda que o tenham feito, de modo algum isso diminui as grandes qualidades dos filmes do amigão da vizinhança. Só acho que, como essas semelhanças existem, não poderia deixar de apontá-las, nem que seja como curiosidade.

Aliás, falando como nerd apaixonada, depois de ler tudo isso o que eu realmente recomendaria era que vocês aproveitassem a deixa e alugassem Superman 1 e 2,Homem-Aranha 1 e 2e depois dessem uma esticadinha no cinema para conferir O espetacular Homem-Aranha. Essa sim é uma idéia bastante divertida.



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mundo Fantasma




Há muito mais no universo de quadrinhos norte-americanos do que histórias sobre heróis em colantes defendendo o mundo de super-vilões ou de ameaças alienígenas. Existe toda uma "outra" indústria de quadrinhos americanos cujas histórias passam bem longe das histórias a que estamos acostumados. Seus temas são bem variados, indo desde ficção, fantasia, passando pelo policial, e até mesmo histórias sobre gente comum, como qualquer um de nós. 

Uma dessas obras é  Mundo Fantasma, editado pela GAL, que está concorrendo ao Troféu HQ Mix deste ano.

Aproveitando a deixa, vale lembrar que Mundo Fantasma já concorreu ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. O filme ficou conhecido no Brasil como Mundo Cão.

Ghost World faz parte do movimento de quadrinhos underground, cujo maior mestre e representante, também bastante conhecido no Brasil, é Robert Crumb. Criado por Daniel Clowes, Ghost World foi publicada originalmente na antologia Eightball, da Fantagraphics, em 1993, em oito capítulos, nos números 11-18. Depois foi relançada em forma de coletânea, em 1998, em um álbum com o mesmo nome da série. Clowes é formado no conceituado Pratt Art Institute e é bastante (re)conhecido no meio dos quadrinhos underground. O próprio Robert Crumb elogiou o trabalho de Clowes, considerando-o até como seu sucessor.

(Aviso: spoilers abaixo)
O fato de ser protagonizado por duas garotas comuns, Enid e Rebecca (Becky), acaba nos remetendo a duas outras importantes séries alternativas: Locas/Love & Rockets, de Jaime Hernandez, com suas Maggie e Hopey; e Estranhos no Paraíso, de Terry Moore, com suas Katchoo e Francine. Entretanto, o clima e a história de Ghost World pouco tem a ver com essas séries. As protagonistas são uma espécie de outsiders. Tal afirmação não pode ser aplicada nem a Francine, nem mesmo a Katchoo, apesar de seu passado obscuro. Maggie e Hopey são outsiders pelo preconceito da sociedade americana a suas origens hispânicas. Já Enid e Rebecca o são por opção. Elas são aquilo que chamamos de "esquisitas", "deslocadas", "freaks" ou "weirdos".

Ambas são garotas de 18 anos que acabaram de se formar no colegial (high school). Amigas de longa data, ainda não decidiram ou sabem o que querem exatamente da vida. A única coisa que querem é aproveitar as férias de verão na maior ociosidade, por acreditarem não ter nada melhor a fazer. Cínicas e críticas, seus passatempos preferidos são esculhambar tudo e todos a sua volta, e, quanto mais diferente delas e mais dentro do "medíocre padrão da classe média americana e de sua sociedade consumista", mais "perfeita" é a vítima para elas.

Entretanto, as coisas estão mudando: não apenas o fim do colégio, mas a própria relação das garotas. Becky cada vez mais começa a acreditar que é hora de se ajustar ao mundo dos "normais", mesmo que não confesse isso totalmente para si mesma. Já Enid parece querer continuar mantendo suas crenças juvenis na vida adulta - ou melhor, talvez esteja mesmo querendo é negar a chegada dessa vida adulta. Como isso, o relacionamento das duas vai esfriando, e o antigo pacto de morarem juntas depois do colegial parece cada vez mais distante.
Eis que as coisas se tornam ainda bem mais complicadas para as garotas quando a dupla resolve pregar uma peça no excêntrico colecionador de discos Seymour, já que, depois do ocorrido, Enid passa a demonstrar uma mistura de interesse e compaixão por ele. Seymour, nos seus quarenta anos de idade, é um solitário e perdedor nato, cuja palavra "convencional" é a mais improvável que se possa aplicar a ele. A última vez que teve um relacionamento sério com uma mulher data da época do colégio. Enid então começa a pensar se não encontrou uma alma gêmea, e transforma a procura de uma namorada para Seymour em uma missão. O problema é que a missão surte efeito, e ela consegue uma namorada para o quarentão. Só que o tiro saiu pela culatra: Enid se vê privada, de uma só vez, de Seymour e de Becky, coisa que ela não vai permitir que aconteça.

O roteiro do filme foi escrito pelo próprio Daniel Clowes, sendo John Malkovich um dos produtores. A direção é de Terry Zwigoff, que já havia realizado anteriormente dois documentários: Louie Bluie(sobre um obscuro músico de blues de Chicago) e Crumb (sobre o já citado papa do underground Robert Crumb). As personagens principais são interpretadas por Thora Birch (Enid), Scarlett Johansson (Rebecca) e Steve Buscemi (Seymour). 

Thora Birch é mais conhecida por sua atuação em Beleza Americana. O filme é extremamente fiel à HQ, exceto pelo fato de que, na película, a participação de Seymour é maior.
Para quem não conhece, compensa muito ler os quadrinhos e ver o filme,  pois  são obras de  de grande qualidade e originalidade.

Apenas para complementar, em uma época de estréia de Vingadores, vale muito a pena ver Scarlett Johansson pré-famosa em uma adaptação de quadrinhos underground.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Zumbilândia

por Katchiannya Cunha e Lucita "Hellsing" Nascimento





Quando em 1932, a Universal, em seu ciclo clássico de filmes de terror, lançou White Zombie, estrelado por Bela Lugosi, provalmente não imaginou que décadas depois o gênero mortos-vivos se tornaria tão “pop”quanto é nos dias de hoje.

Embora White Zombie não tenha tido, ao longo dos anos, uma repercurssão tão grande quanto Drácula, Frankstein ou O Lobisomem (refilmado recentemente e estrelado por Benício Del Toro), seu papel como pioneiro no gênero zumbis não pode nem deve ser esquecido.

Contudo, a caracterização desses desmortos mais arraigada no imaginário popular se deve aos filmes realizados por George Romero nos anos 60.

Foi a partir de A Noite dos Mortos Vivos (1968) que os zumbis se tornaram efetivamente ícones pop, resultando na criação de obras geniais (e outras nem tanto) que vão desde filmes como Extermínio (2002), quadrinhos como Os Mortos Vivos (HQM), livros como Guia de Sobrevivência a Zumbis(Ed.Rocco) ou jogos como Resident Evil e Left 4 Dead.

Zumbilândia é o herdeiro direto desse coquetel cultural envolvendoos comedores de cérebros. Contudo,assim como Todo Mundo Quase Morto (2004), possui os pés fincados na vertente humorística.

Nada é mais humano e revigorante do que rir da desgraça alheia! E por quê não rir da própria desgraça? Essa é a premissa de Zumbilândia.

A história não é nenhuma novidade: o mundo cai em um apocalipse zumbi, obrigando os poucos remanescentes ainda humanos a lutarem por sua sobrevivência seguindo suas próprias regras. Regras essas, seguidas à risca pelo protagonista Columbus (Jesse Eisenberg). Lembrem-se: em uma epidemia de zumbis os primeiros a morrerem serão os gordinhos, por isso, condicionamento físico é a regra número 1 para sobrevivência.

A história é narrada do ponto de vista do protagonista, que em suas desventuras se junta a outros três sobreviventes - Tallahassee (Woody Harrelson), e as irmãs Emma Stone (Wichita) e Abigail Breslin (Little Rock)- nada confiáveis em sua jornada. O filme relembra sempre as regras criadas por Columbus para analisar as ações dos personagens.

A abertura do filme é um espetáculo à parte, mostrando cenas em slowmotion em que pessoas fogem de zumbis em diversas situações enquanto esbarram nos créditos. Uma delas faz referência à James Bond, onde um homem com terno branco está atirando com uma metralhadora enquanto um zumbi se aproxima logo atrás.

A grande sacada de Zumbilândia foi captar o melhor de cada um dos seus “antecessores”.

Apesar dos aspectos cômicos do filme, os zumbis continuam seres assustadoramente asquereosos e nojentos tal como os seres putrefatos concebidos por Romero. De Extermínio foi preservada a idéia de mortos vivos ágeis e menos estúpidos que a caracterização usual. Algumas sequências têm o frenesi dos videogames
A cenas de ação são muito bem feitas e nesse aspecto quem rouba a cena é Woody Harrelson que faz o estereotipado caipira linha dura, mas que no final das contas tem um bom coração.

Contudo, grande parte do charme de Zumbilândia vem da química entre os personagens/atores, que conseguem convencer como a “família” formada a contragosto – pelo menos no começo – devido ao cataclisma zumbi.

Destaque também para a participação de Bill Murray, interpretando ele mesmo, inclusive com seus arrependimentos.

Zumbilândia consegue agregar em si elementos aparentemente excludentes e paradoxais: terror, comédia, ação, clima de filme B e estrutura de blockbuster, o que acabou por torná-lo um merecido sucesso de bilheteria.

OBS.: Espere até depois dos créditos, pois há uma cena extra.



Título original: Zombieland
Duração: 80 minutos (1 hora e 20 minutos)
Gênero: Terror
Direção: James L. Frachon
Roteiro:James L. Frachon, Guy Giraud
Ano: 2010

ELENCO: Jesse Eisenberg (Columbus),Woody Harrelson (Tallahassee) ,Emma Stone (Wichita), Abigail Breslin (Little Rock),
Amber Heard (406),Bill Murray (Himself)




E para quem se interessa por Zumbis, recomendo alguns textos do Coruja:

Os zumbis dominarão o mundo

Para ler: Orgulho & Preconceito... e zumbis

Zumbis: fazendo a autópsia - Parte I

Zumbis: fazendo a autópsia - Parte II

Zumbis: fazendo a autópsia - Parte III

Zumbis: fazendo a autópsia - Parte IV