Mostrando postagens com marcador anime. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador anime. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Go Speed Go!

Poucos são os animes que depois de 41 anos ainda são reconhecidos pelo grande público ou cujas reprises ainda são bastante freqüentes. Ou mesmo são capazes de levar a produção de um blockbuster de dimensões astronômicas. 

Quando se pergunta ao pessoal mais jovens sobre algum "anime das antigas", invariavelmente, é o corredor do Mach 5 que cruza a linha de chegada nas lembranças das pessoas. 

Para quem não sabe, Speed Racer é o nome americano da série de anime japonesa chamada Mach Go Go Go, baseada em uma série de mangás do início dos anos 60, criada por Tatsuo Yoshida. A animação foi realizada pela Tatsunoko Productions, e lançada pela primeira vez em 1967. 

A título de curiosidade, vale ressaltar as inspirações que levaram à criação de Speed Racer, no original, Mifune Gō. O sobrenome do rapaz foi uma homenagem nada discreta ao grande Toshiro Mifune, um dos maiores atores japoneses daquela época, astro de muitos dos filmes do diretor Akira Kurosawa (Rashomon, Os sete samurais e Yojimbo), o visual com o lencinho no pescoço e topete veio do rei, Elvis Presley, em especial do filme Viva Las Vegas, onde Presley vive o piloto de corridas Lucky Jackson, cujo sonho é ganhar o Grand Prix de Las Vegas. E, para finalizar, o gosto pelas aventuras ao redor do mundo, com toques de espionagem em alguns episódios, e as parafernálias do carrão Mach 5 viram de ninguém menos que James Bond. 

Outro fato interessante se refere ao nome original do protagonista. Foneticamente, Gō se refere tanto ao inglês Go (Vai!) quando ao japonês Go (Cinco). Não por acaso, o número do carro do Speed é o cinco (Um parêntesis nada a ver, mas, pulando para outro mangá, também não é por acaso que, em Bleach, Ichigo tem o número 15 na porta do quarto dele, ou é mostrado com roupas com o 15 estampado. Ichi é um em japonês, e Go, vocês já sabem.) 

Em linhas gerais, a trama do anime se foca no jovem piloto Speed Racer (Mifune Gō) que viaja pelo mundo competindo em corridas e rallies perigosos, cujos corredores podem até mesmo jogar sujo, e muitas são as explosões e acidentes durante esses percursos. 



Speed é sempre acompanhado por sua família: Pops (Daisuke Mifune), o pai do rapaz, responsável pela criação do fantástico Mach 5, antes engenheiro de uma grande coorporação, a qual abandonou para fundar a Racer Motors (Mifune Motors); Mamãe (Mom/Aya Mifune), o irmão caçula Gorducho (Spritle/Kurio Mifune) sempre acompanhado do macaco Zequinha (Chim-Chim/Senpei), que além de serem o alívio cômico da história, quebra-galhos ocasionais, sempre conseguiam a incrível façanha de se esconderem no porta-malas do Mach 5 (mesmo que a família inteira ficasse de olho nos dois).

Mamãe Gorducho e Zequinha
Para completar a família - que também é a equipe de corrida de Speed - temos o mecânico Sparky (Sabu) e Trixie (Michi Shimura), namorada do herói, que ás vezes se fazia de co-piloto ou auxiliava Speed observando a corrida em um helicóptero. 

SpeedTrixie
Em relação a Trixie, vale destacar que, juntamente com Safiri, de A Princesa e o Cavaleiro, é uma das precursoras das heroínas (japonesas) que se encontram em pé de igualdade com o mocinho da história. Trixie dirige bem, luta, pilota, sabe usar disfarces, é inteligente, sem deixar de ser feminina, tornando-se uma espécie de modelo para as garotas da época. 

Também não podemos nos esquecer, é claro, daquele que é considerado por muito como o personagem mais cool dos animes, o misterioso Corredor X (Racer X/ Fukumen (Masked) Racer), que, na realidade, parafraseando o narrador do desenho é "Rex Racer, o irmão desaparecido de Speed ", cujo nome original é Ken'ichi Mifune. 

Na versão original, Rex saiu de casa depois de uma briga séria com o pai. Anos depois, surge o Corredor X, cujo talento nas pistas lembra o do mais velho dos irmãos Racer. Aparentemente, tanto Speed quanto Pops desconfiam da real identidade de X. Rex se tornou agente da Interpol, e viaja pelo mundo, enfrentando criminosos e investigando falcatruas, sabotagens e vários outros delitos que se escondem no circuito internacional de corridas. Em mais de uma ocasião, o Corredor X ajudou Speed nas pistas, muitas vezes sacrificando sua vitória para auxiliar o caçula. 

Corredor XRex Racer
Clique para ampliar


Embora tenha durado apenas uma temporada (entre 1967 e 1968), o anime foi reprisado diversas vezes, obtendo sempre o mesmo retorno inicial. No Brasil, as últimas reprises foram feitas pela Rede Record, pelo Cartoon Network e posteriormente pelo Boomerang. O tema do anime é possivelmente um dos mais marcantes da história da animação (tanto a versão americana quanto a nipônica) e já dava, desde a abertura, o tom de "adrenalina" (na medida certa) do que viria a seguir. 

Além da séries dos anos 60, outras séries derivadas, tanto continuações, quanto remakes, foram realizadas. A primeira delas foi a americana The New Adventures of Speed Racer, produzida em 1993 pela Fred Wolf Filmes. Com uma animação sofrível, um tema de abertura pior ainda, uma completa descaracterização dos personagens, merece ser conhecido apenas como curiosidade ou como exemplo do que não se deve fazer com um personagem clássico (ou melhor, com qualquer personagem). 

The New Adventures of Speed Racer
Em 1997, em comemoração aos 30 anos da série original, foi lançado um remake também pela Tatsunoko Productions, Mach Go Go Go ou Speed Racer X trazia basicamente os mesmos elementos da história clássica, com uma roupagem moderna. Nesta versão, Rex Racer finge-se de morto para a família, plot que seria reutilizado no filme de 2008. O visual do desenho é interessante, não muito diferente do que era produzido nos anos 90, a animação tem qualidade, o ritmo por vezes fica aquém do esperado, mas vale a pena uma conferida. Ele chegou a ser exibido nos Estados Unidos em 2002 pela Nickelodeon, e, posteriormente, no Brasil, pelo Cartoon Network.

Speed Racer X
Em 2008, iniciou-se a produção de Speed Racer: The Next Generation, focada na história dos filhos de Speed e Trixie (?). Produzido pelos criadores da série cômica Kappa Mickey, traz, como protagonista, Speed Jr., um órfão que vai para uma escola de corridas (?!), dirigida pelo Gorducho (o único personagem da série original que aparece). Lá Speed Jr conhece X Racer, o filho mais velho do Speed original, com quem começa uma relação de rivalidade, até descobrirem que são irmãos. Speed Jr. foi mandando para um orfanato para ser protegido.

A premissa, os traços e o estilo da animação não empolgam.

Speed Racer: The Next GenerationSpeed Racer: The Next Generation 2

Contudo, apesar de não ter sido completamente feliz em suas continuações e remakes, Speed Racer se tornou parte importante da história da televisão mundial. O TV Guide (a "bíblia" da TV norte-americana) aponta o episódio em que o Corredor X revela sua identidade à Speed como um dos momentos mais memoráveis da história da TV. 

Speed também é referenciado em vários outras animações, como Harvey , o Advogado (onde ele é um dos clientes do ex-Homem-Pássaro) ou Family Guy ou Frango Robot. Vale destacar o episódio do Laboratório de Dexter em que os personagens praticamente encarnam o jeito "speed racer" de ser. Dexter faz as vezes de Speed, Dee Dee alterna entre Gorducho e Corredor X, o Pai do Dexter age exatamente como Pops. Outro que também merece ser visto é o episódio da série Os Padrinhos Mágicos, chamado A Caçada dos Padrinhos Mágicos, em que Timmy Turner, Cosmo e Wanda (os padrinhos) entram no mundo da televisão revisitando vários clássicos animados, inclusive Speed Racer. 

Se não bastasse todas essas referências e homenagens, em 1996, Speed e sua família foram "garotos-propaganda" de um comercial da Volkswagen. 

Depois de tudo isso, acredito que só nos resta uma coisa a dizer: Go Speed Go! 


Minha resenha do filme - http://www.freewebs.com/mahouamaterasu/tsuru/numero5/speedmovie.htm

Veja também algumas das aberturashttp://www.freewebs.com/mahouamaterasu/tsuru/numero5/speedvideos.htm

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Colocando as Cartas na Mesa



Em 2017, Sakura Card Captors completou 21 anos no lançamento do mangá original..

O primeiro mangá, que é de criação do grupo Clamp, foi publicado originalmente entre 1996 e 2000, na revista Nakayoshi, da editora Kodansha (na qual também foi publicada, por exemplo, a saga das guerreiras lunares Sailormoon). O anime foi ao ar entre 1998 e 2000, e gerou dois filmes.

O sucesso foi tamanho que as autoras retornaram (mais ou menos) aos personagens no inicialmente promossor Tsubasa Resevoir Chronicles, mas constantes universos paralelos, clones, identidades trocadas, tornaram o mangá demasiadamente confuso e muito aquém de Sakura Card Captors ou de outras obras do Clamp.

As meninas do Clamp são conhecidas como as rainhas do Shoujo (embora tenham feito diversos outros estilos de quadrinhos japoneses). Shoujo, para quem não sabe, é um estilo de mangá voltado principalmente para o público feminino, com características marcantes tais como traços dos desenhos mais finos, leves e estilizados, valorizando, principalmente, as características psicológicas das personagens, seus sentimentos, conflitos pessoais e relações amorosas. É muito comum nesse tipo de mangá garotos com uma aparência andrógina, relacionamentos amorosos entre personagens do mesmo sexo e romances meio impossíveis.

Sakura Card Captors é considerado, juntamente com Guerreiras Mágicas de Rayearth e X 1999, um dos melhores trabalhos do Clamp.

A arte é primorosa e, como a maioria das artes de mangás shoujo, é delicada. A delicadeza desses traços, associada com um cuidado com os detalhes de caracterização de cada personagem (acessórios, cabelos, olhos, etc., que acabam por refletir as personalidades dos mesmos), além de uma grande exploração da linguagem de mangás (as “gotinhas”, o diálogo integrado às cenas e por aí vai), fazem de Sakura um trabalho belíssimo de se ler e se ver. Entretanto, em algumas cenas de batalha, devido ao traço fino e a uma arte-finalização mais limpa os quadros se mostram um pouco confusos.

Além disso, a caracterização psicológica das personagens também é fantástica, pois elas se apresentam como seres complexos e cheios de nuances e sutilezas. Os 
relacionamentos amorosos, no mangá, são bem mais explícitos e intrincados que no anime. É bem mais evidente no mangá que no anime que Shoran é apaixonado por Yukito, ou que o que Tomoyo sente por Sakura é realmente bem mais que amizade, formando uma rede amorosa capaz de dar dor de cabeça no fã mais fiel. Também são notáveis as diferenças cronológicas ou o modo como algumas cartas foram capturadas no anime e no mangá, mas sem que isso torne um inferior ao outro. E diferente da maioria dos quadrinhos com os quais estamos acostumados, nos quais existem sempre heróis e vilões, mesmo que esses vilões sejam ambíguos, em Sakura Card Captors não temos nenhum vilão de verdade.

Meu unico por
ém sobre a obra é o relacionamento entre Rika, amiga de Sakura, e o professor delas, sutil no anime e mais escancarado no mangá, e que daria para ser discutido e debatido infinitamente.

Quem  já viu o anime  ou leu o mangá deve se lembrar (e quem não conhece, convido a conhecer), a história de Sakura é mais ou menos a seguinte: Sakura é uma menina de 10 anos que, ao abrir um estranho livro que encontrou na biblioteca de seu pai, liberta as cartas Clow, criadas pelo poderoso mago Clow. Agora, com a ajuda de Kerberus/Kero-chan, antigo guardião do lacre do livro, e de sua melhor amiga Tomoyo, Sakura deverá juntar todas as cartas ou uma grande desgraça se abaterá sobre a Terra.

Embora as cartas dêem muito trabalho para serem capturadas, ou por vezes acabem por prejudicar uma ou outra pessoa, não há porque classifica-las como malignas. As cartas ou estão confusas diante dessa nova situação de liberdade, ou não querem abrir mão dela - ou ainda querem testar se a nova card captor é digna de ser sua nova dona.

Quanto a Shoran Li, o rival de Sakura na captura das cartas (e no amor de Yukito), o único motivo de sua implicância inicial com Sakura se deve ao fato de ele não achar que ela seja forte suficiente para capturar as cartas. Ele acredita que reunir as cartas seja uma obrigação familiar, já que é descendente da família de Clow. O próprio Eriol, reencarnação do mago Clow que aparece na fase final da história, não pode ser classificado como vilão. Suas manipulações míticas visam mais a testar Sakura e auxilia-la no desenvolvimento de seus poderes que a qualquer intento perverso.

Sakura Card Captors não é uma história sobre a eterna luta entre o bem e o mal, mas uma metáfora sobre a passagem da infância para a adolescência, seus conflitos. Sobre questões como amadurecimento e aquisição de responsabilidades. É uma história sobre relações humanas. E é aí que reside seu charme. Quando Sakura abre o livro das Cartas, é como se ela se abrisse às infinitas possibilidades que a adolescência nos oferece. A captura das cartas representa as responsabilidades que essa nova fase de nossa vida nos impõe, mas ao mesmo tempo que adquirimos novas responsabilidades também nos tornamos mais experientes e mais sábios. A cada carta Clow que Sakura capturava, ela se tornava misticamente mais forte: tornava-se mais experiente e menos criança (mas sem perder as características que a faziam únicas). Ou seja, ela estava mudando como todos nós mudamos durante esse período de nossas vidas.

As dificuldades que ela passou para prender as cartas e o julgamento de Yue não são nada mais que a representação de todos os obstáculos e problemas que enfrentamos durante toda a vida. E a transformação das cartas Clow, que eram as cartas de outra pessoa, experiência vinda do meio externo, em cartas Sakura, está relacionada a um processo de reflexão no qual pegamos as experiências que o meio nos ofereceu e delas extraímos lições para nossa vida. Só depois de passar por essas transformações e por este amadurecimento é que Sakura pode se perceber não mais como uma criança, mas quase uma adulta e se permitir a amar.

Metáforas à parte, Sakura Card Captors é um dos melhores e mais poéticos mangás do Clamp e merece ser conferido (ou relembrado)

Sakura 2016

Dica de site:
Clamp Files: Um Guia sobre a obra das mangakás mais famosas do Japão
 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Mitologia em Sailor Moon

Site da imagem: http://bit.ly/2cwvUnX

Muitos anos atrás (e bota muitos anos nisso), lá nos "finalmentes" dos anos 90, quando a Manchete ainda existia e trazia muitos animes para a TV aberta, eu fiz parte de um fanzine sobre Sailor Moon. Daqueles de mandar o dinheiro pelo correio e receber o fanzine em casa.

Minha coluna era um paralelo sobre Mitologia e a história das Sailors.

Como recordar é viver, resolvi repostar meus textos aqui.

Para quem quiser conferir o texto, pode ser abaixo ou clicar nos links abaixo:

http://issuu.com/anacarolinacunha/docs/sailors?e=9833767/38469411

https://www.dropbox.com/s/vdaq3zxe1w0k5jr/sailors.pdf?dl=0

terça-feira, 27 de abril de 2010

Guerra das Galáxias


Hoje eu decidi resgatar uma das minhas séries favoritas de animes do meu tempo de menina: a primeira série de Macross, mais conhecidas por aqui como Robotech (embora a história seja um pouco mais complicada) e que, inclusive, chegou a ser publicada em quadrinhos aqui no Brasil

Exibida por aqui no fim dos anos 80 e início da década de 90 pela Rede Globo, Robotech era na realidade a junção de três animes japoneses: Super Dimensional Fortress Macross, Super Dimensional Cavalry Southern Cross e Genesis Climber Mospeada, que em princípio não possuíam nenhuma relação entre si a não ser o fato de serem animes mecha (de robôs gigantes) que envolviam batalhas espaciais. A responsável por essa bagunça foi a produtora americana Harmony Gold, que comprou os direitos da bem sucedida série japonesa Macross para exibi-la nos States. Na época, havia uma regra idiota de que uma animação deveria ter no mínimo 65 episódios por temporada para ir ao ar, e como Macross só tinha 36, resolveram costura-la com as demais séries fazendo algumas edições, adaptando nomes e alterando a ordem de alguns fatos.

E apesar dessa manobra Frankstein, a série fez muito sucesso nos Estados Unidos, especialmente seu primeiro arco de histórias que diz respeito exatamente ao Macross original - dos três animes, este foi o que praticamente sofreu o menor número de cortes. Precisamente este arco de histórias foi o exibido pela Globo (e um pedaço da segunda parte, calcada em Southern Cross). Posteriormente, a Record e a Gazeta/CNT exibiram a versão original de Macross (também chamada de Guerra das Galáxias) sem os cortes, mantendo o nome das personagens e as músicas originais em japonês. A série original Macross deu origem a diversas outras séries no Japão, que infelizmente nunca chegaram a serem exibidas por aqui.



Em Macross, no ano de 1999 uma enorme nave alienígena cai na Terra. Prenúncio de uma provável invasão. Com esse receio, os cientistas do planeta começam a investigar a nave e se apropriar de sua tecnologia, o que resultará nos caças Valkyrie, capazes de se transformar em robôs, e no cargueiro espacial SDF-1 Macross, que possui a mesma capacidade. Dez anos depois, a Terra está sob o ataque da raça alienígena Zentraedi (Zentraady, no original), que veio ao nosso planeta em busca da nave perdida. Muito maiores que os habitantes da terra, os Zentraedis parecem não desenvolver o uso das emoções, nem relações afetivas, especialmente as amorosas, o que os deixa chocados diante dos humanos.

Por um acidente, durante um ataque o SDF-1 Macross e uma cidade próxima são transportados para os confins do sistema solar. Agora, eles tentam se adaptar aos conflitos entre as populações civil e militar da nave, ao mesmo tempo em que tentam voltar para casa e derrotar os alienígenas em seu caminho.

Contudo, o foco principal da história não é exatamente as batalhas espaciais, mas sim as relações estabelecidas entre as personagens, em especial no triângulo amoroso vivido pelo piloto Rick Hunter/Hikaru Hishizo, a cantora Lynn Minmei e a primeira oficial da nave, Lisa Hayes/Misa Hayase. Tanto Rick quanto Lisa se tornam soldados por influências de membros de suas famílias. Ela inspirada por seu pai, um famoso comandante, e ele por seu irmão mais velho Roy Fokker, um dos melhores pilotos da frota, que infelizmente morre quase que no começo da série.

Outras personagens importantes são o Capitão Henry Gloval, que comanda a SDF-1 Macross, o piloto Maximillian Genius e sua esposa Millia. Millia era na realidade uma Zentraedi, que foi reduzida ao tamanho humano para espionar a nave, acaba se apaixonando por Max e se casando com ele (e confesso que são dois dos meus personagens favoritos).
No fim de tudo, apesar de todas as guerras e batalhas, o que faz com que a guerra acabe é o poder do amor, mais claramente uma canção de Minmei que, ouvida pelos Zentraedi, desperta neles sentimentos e emoções que os alienígenas acreditavam não mais existir.

A Panini foi a responsável pela revista inspirada na série, mais especificamente nesta parte da história. Produzida totalmente nos Estados Unidos por americanos, Robotech conta o que aconteceu depois e antes da série televisiva. A história começa em 2015, com o agora Capitão Hunter num primeiro momento enfrentando rebeldes Zentraedi. Posteriormente, a história muda de rumo e somos levados de volta a 1999, aos tempos em que Rick e seu irmão Roy Fokker viviam no circo voador da família, e logo depois ao momento em que ocorrerá o evento Macross (a queda da nave).

No primeiro número, para quem é fã da série animada mal deu para matar saudades das personagens. Tudo, personagens, as situações e os eventos importantes, estão sendo apresentados praticamente na base do conta-gotas. Para quem nunca assistiu ou ouviu falar sobre o anime fica difícil entender qual será o rumo da história.

Ainda assim dá para se envolver com a história em certos momentos, especialmente naqueles que mostram o relacionamento entre os irmãos Rick e Roy, uma mistura de cumplicidade, admiração e amizade. Quem era fã do anime também acaba por aproveitar muito mais alguns pequenos detalhes da revista - como, por exemplo, o fato de que o almirante Hayes era inimigo do Capitão Gloval, levando-se em consideração que posteriormente estarão do mesmo lado e a filha de Hayes, Lisa, será o braço direito de Gloval no SDF-1 Macross.

Talvez o que realmente tenha faltado foi a Panini fazer uma introdução do que foi Robotech, apresentando a animação e os personagens à nova geração e relembrando certos fatos aos antigos fãs. Afinal, tem quase uns dez anos que o desenho foi exibido no Brasil pela última vez.

Para quem quiser conhecer a história "real", eu recomendo vasculhar a locadora mais próxima, pois alguns episódios foram lançados em vídeo ou, nesse nosso admirável mundo novo internético, baixar em algum fansub decente (junto com as suas continuações) . É claro que o ideal seria a série ser exibida novamente na TV. Sonhar não custa nada, não é?